Limite

(Dirigido por Mário Peixoto – Brasil 1931) 

Limite MARIO PEIXOTO

Quando assistimos um filme ficamos expostos à arte cinematográfica. Quando vemos um bom filme essa exposição se eleva, mas quando temos a sorte de ver “Limite” dirigido por Mário Peixoto, infelizmente poucas vezes exibido na tela grande desde sua estréia em 1931, chegamos em um patamar que poucos filmes podem nos levar. Falar dessa obra é um desafio mas assisti-la é um prazer.

A palavra limite indica um ponto de separação, seja no espaço ou no tempo, além do qual algo deixa  ou passa a existir. Na obra em questão esse limite é turvo, é precário, como a própria existência humana. A história é contada através das memórias de três personagens – apresentados no filme como homem 1 (Raul Schnoor), mulher 1 (Olga Breno) e mulher 2 (Tatiana Rey)  – que estão em um pequeno barco à deriva e imersos, cada um, em suas lembranças.

Limite MARIO PEIXOTO

São angulações experimentais, não-convencionais e que colaboram muito positivamente na forma de contar a história. Nota-se forte influência do cinema expressionista alemão, mas deve-se considerar que foi feito com muitas limitações técnicas e sem uma estrutura profissional, além de ser financiado pelo próprio diretor. Contudo, tais limitações foram em parte superadas pela criatividade de Edgar Brazil que desenvolveu inúmeros equipamentos através dos quais possibilitou ao diretor realizar o que pretendia.

O filme, em minha percepção, é uma metáfora sobre a vida. Não é o barco que está à deriva, são as pessoas. Eu estou naquele barco com minhas lembranças e medos. De certa forma todos estamos naquele barco. Recomendo a todos que assistam o filme, eis que já derivamos juntos pela vida.

Para ver o filme basta clicar no link: “Limite

Informações do autor: Maximiliano Lopes é brasileiro com formação acadêmica em Direito, sendo o cinema uma segunda paixão, especialmente o cinema antigo. Está foi a razão para dar início ao blog TeleCineBrasil onde pode compartilhar filmes, multiplicar conhecimentos e principalmente fazer novos amigos.

Atención: Para leer el post en idioma español haz click aquí.

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Comentarios

  1. dice

    Es una película curiosa, el director solo hizo una, que curiosidad me despierta, y eso de la metáfora del barco también, buena con la novedad, David, de que un amigo brasileño escriba en su lengua natal, creo que como países hermanos y teniendo similitudes aun siendo distintos es un vinculo natural. Tomo el consejo de maximiliano, la buscaré. Saludos a ambos.

  2. dice

    Olá David!
    Achei muito interessante este post . Um filme de 1931, antes de meus pais terem nascido, me causa espanto. Não havia aqui tecnologia e imagino que este seja um filme de alguém muito inteligente, pois esta metáfora não tem idade, muitos ainda vivem à deriva nos barcos de suas vidas. Vou assistir. Um beijo! Obrigada pelo convite!

  3. dice

    Vim agradecer-lhe por visitar meu singelo e humilde blog! Estou dando uma boa olhada no seu e já conclui que se trata de uma ótima página!
    Grande abraço, apareça mais vezes.

    Abraços

  4. dice

    Olá David, que porreta! Isso é um resgate a cinemateca brasileira, muito importânte, como sabemos, o Brasil, infelizmente, é um pais sem memória, ou seja, a cultura e a arte é jogada na lata do lixo.

    Ninguém liga para o passado, eu nunca tinha ouvido falar desse filme, nasci evidentemente depois, em 50, mas, um filme importante para época e dias atuais deveria ser lembrado, falado a gerações futuras para entender como chegamos até aqui e como nasceu o cinema novo…

    Parabéns!

    Obrigado pelas palavras no Sibarita

    O Sibarita

    • David Cotos Espinoza dice

      É importante mostrar mais filmes da América do Sul, assim aprendemos a conhecer mais sobre a nossa história.
      Saudações.
      David

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